Movimentos populares protestam contra higienismo de Doria

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A Central dos Movimentos Populares realizou nesta quarta-feira (25) o ato “Cartão de Visita ao Governo Doria”, na Praça da Sé, região central da capital paulista, para protestar contra as medidas dos 25 primeiros dias de mandato do prefeito João Doria Jr. (PSDB). A manifestação aconteceu durante a participação do prefeito na tradicional missa celebrada na Catedral da Sé em homenagem ao aniversário da Cidade. De acordo com os organizadores, 3 mil pessoas participaram do ato.
Para os manifestantes, a chamada operação Cidade Linda não visa apenas os serviços de zeladoria urbana, mas possui forte cunho higienista, já que as ações têm se desdobrado em perseguição à população de rua. No último dia 21, a prefeitura publicou um Decreto que retirou o veto à remoção de cobertores de moradores de rua pela guarda civil, o que levou servidores da Coordenação de Políticas para a População de Rua, em desacordo com a medida, a pedirem exoneração.
Valdina Andrade, do Movimento de Trabalhadores Ambulantes, lembrou que durante os primeiros dez dias de gestão, o prefeito expulsou da Avenida Paulista mais de cem trabalhadores ambulantes. “Somos mais de 160 mil trabalhadores ambulantes, e as famílias dependem desse trabalho”, lamentou.

foto: reprodução facebook Juliana Cardoso

A vereadora Juliana Cardoso participou do ato e fez coro com os manifestantes. “O projeto ‘cidade linda’ expulsa a população carente da área central da cidade e criminaliza a pobreza”, criticou a parlamentar em sua página no Facebook.
As iniciativas de Doria na área de saúde, como o Corujão e o fechamento de farmácias nas Unidades Básicas de Saúde, também estiveram presentes nos discursos. “Este é um retrocesso muito grande e, por trás de tudo isso, está o enxugamento do estado, ou seja, eliminar postos de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o fechamento destas, e fazer com que o dinheiro público passe a ser canalizado para os empresários da rede farmacêutica”, afirmou Frederico Soares, da União dos Movimentos Populares de Saúde da cidade de São Paulo (UMPS).
Os manifestantes também criticaram cortes em programas sociais, como o “Leve Leite”, e no fornecimento de transporte e de material escolar. Segundo Maria Júlia Montero, da Marcha Mundial das Mulheres, a gestão do novo prefeito representa a “municipalização do golpe, com precarização dos serviços de saúde e da educação”. Montero afirma que a posse de Doria representa um retrocesso para as mulheres. “Tivemos o fechamento da Secretaria de Política para as Mulheres, que representa a ameaça de terceirização de serviços associados a essa secretaria, como o atendimento às mulheres em situação de violência”, argumentou.
VELOCIDADE NAS MARGINAIS

foto: reprodução facebook Suplicy

O vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) também participou do ato e reforçou sua preocupação com a insistência da gestão Doria em aumentar a velocidade nas marginais. “Quero reiterar o apelo de todos aqueles estudiosos do sistema do trânsito, que informaram que a diminuição do limite de velocidade fez com que deixassem de morrer 260 pessoas a cada ano, e de se acidentarem, mais de 4 mil. Para cada passo que o prefeito der e contrariar os interesses dos movimentos populares, podem contar comigo que estarei solidário a vocês”, comprometeu-se.
Na última terça-feira (24), a desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, da 13ª Câmara de Direito Público, derrubou liminar obtida pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) que mantinha os limites fixados durante a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). A redução da velocidade nas marginais Tietê e Pinheiro resultou na diminuição de 54% de acidentes com mortes em 2016 na comparação com 2015, segundo dados da própria Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) informados na última terça-feira (24).
FONTE: com informações da Rede Brasil Atual e Brasil de Fato

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