Elifas Andreato homenageado com título de cidadão paulistano

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Foto: Acervo do Mandato

O artista plástico e jornalista Elifas Andreato foi homenageado nesta segunda-feira, 25, com o título de Cidadão Paulistano (Decreto Legislativo 8/2005), por iniciativa dos vereadores Antonio Donato e Arselino Tatto (ambos do PT). De acordo com os parlamentares, a homenagem ao artista foi em reconhecimento pelos seus mais de 50 anos de trabalho em favor da liberdade de expressão e da defesa dos direitos humanos.

Participaram do evento Rogério Sottili (Instituto Vladimir Herzog), Paulo Zocchi (Sindicato dos Jornalistas), Laerte (cartunista), Elias Andreato (ator e diretor teatral), Italo Cardoso (ex-vereador) e José Luiz Del Roio (político e ativista social). A solenidade foi presidida pelo vereador Donato já que em função de problemas de saúde o vereador Tatto não pode estar presente. Em seus pronunciamentos, os convidados ressaltaram a qualidade artística do Elifas e também seu compromisso com a democracia, a justiça social e os direitos humanos.

Foto: Acervo do Mandato

“Um artista de primeira grandeza e também profundamente comprometido com a democracia, a justiça social e os direitos humanos”, escreveu Donato em sua página no Facebook após a solenidade.

Elifas Vicente Andreato nasceu no município de Rolândia, no interior do Paraná, em 22 de janeiro de 1946. Iniciou sua carreira aos 14 anos, quando trabalhava como torneiro mecânico para a Fiat Lux e começou a pintar painéis que decoravam o salão de festas dos bailes de sábado. Desde então atuou na TV, teatro, revistas, além de ser autor de uma das mais importantes séries de obras iconográficas das principais referências da música brasileira. Entre suas produções estão retratos de Pixinguinha, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Cartola, Gilberto Gil, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Tim Maia, Milton Nascimento, Criolo, João Bosco, entre outros.

PATRIMÔNIO DA CIDADE

Em 25 de outubro de 1975, o diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo Vladimir Herzog foi preso, interrogado, torturado e finalmente assassinado pelas forças de repressão a ditatura que regia o país. O laudo da polícia técnica que classificou a morte do jornalista como suicídio foi amplamente questionado, o que deu força ao movimento pela restauração da democracia no Brasil.

Em 2012, durante os trabalhos da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, sob a presidência do então vereador Ítalo Cardoso, foi elaborado o Projeto de Lei 217/2012. Em 2013, a então Praça Divina Providência (localizada na Rua Santo Antonio com Praça da Bandeira), atrás do Palácio Anchieta, foi rebatizada como Praça Memorial Vladimir Herzog. Desde então, o local passou a ser devidamente preparado para acolher três peças de Elifas Andreato.

Foto: Luiz França / CMSP

A primeira delas é um mosaico de seis metros criado pelas crianças do Projeto Âncora, de Cotia (SP), reproduzindo a obra “25 de Outubro”, quadro pintado por Andreato em 1979 e que desde 1981 encontra-se na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. De acordo com o artista, o quadro repudia a farsa divulgada pela ditadura sobre a tese de suicídio de Vlado e ilustra a cadeira do dragão, método de tortura aplicado pela ditadura militar no Brasil. O trabalho ficou conhecido como a Guernica Brasileira, em referência a uma das obras mais emblemáticas de Pablo Picasso e que retrata o bombardeio à cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O mosaico foi instalado na parede principal da Praça, em 2013, durante a gestão do então vereador José Américo (hoje deputado estadual) presidente da Câmara.

Foto: Ricardo Rocha / CMSP
Foto: Observatório da Imprensa

A outra peça que pode ser vista no local é uma versão ampliada da estátua “Vlado Vitorioso”, com 2,20 de altura e produzida com 200 kg de bronze, da obra criada em 2008 a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) e dedicada aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A replica foi inaugurada em 2015, na gestão do vereador Antonio Donato, então presidente da Câmara, para marcar os 40 anos do assassinato de Vlado. Também como parte do projeto original, foi entregue em abril de 2019 uma reprodução do troféu que anualmente é oferecido aos vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e que homenageia profissionais de imprensa que atuam para a promoção da democracia, da liberdade e dos Direitos Humanos. Estas duas replicas foram confeccionadas pelo artista Giusepe Bôsica.

De acordo com o projeto original, a Praça também vai receber uma placa com os nomes dos 1004 jornalistas signatários do manifesto “Em Nome da Verdade”, publicado em janeiro de 1976 como forma de denunciar as prisões de colegas da imprensa e o assassinato de Vlado. Abrigará ainda placas com registros de todos os jornalistas premiados com o troféu Herzog desde a sua primeira edição, em 1979.

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